As coisas já estavam muito adiantadas, sabe? Muito tempo junto. Toda a intimidade já tinha chegado. Já estava indo embora... Chega um ponto em que todo casal tem sua crise. Laços são estabelecidos, laços são quebrados. O problema é que os laços nunca saem sem deixar marcas, porque eles apertam, sempre apertaram, e quando solta fica a marca por um bom tempo.
A pergunta que fica é: Você consegue se adaptar sem o aperto do laço?
" -Mas temos filhos.
-E daí? Isso não quer dizer que não possamos nos separar.
-Mas nossas famílias...
-Não podem mandar em nós pra sempre."
Chega um ponto em que a gente tem que tomar alguma atitude. A situação já está saturada. Demais. Ninguém aguenta. Ninguém. "E aí? Vai ou fica?". Pergunta difícil, quase incapaz de se obter uma resposta. A vida é uma merda, certo? Ela não vai lhe ajudar. Nem tudo cai do céu. A gente precisa amadurecer querendo ou não, a vida força a gente a isso. Força a gente a tomar decisões e não dá tempo pra decidir. Não dá pra andar em cima da corda sempre. Se você não atravessar, vem o vento e te derruba. E a queda é longa, dolorosa e deixa você lá embaixo.
Bora levantar o olhar? O horizonte é longo, gigantesco! Não tem quem decida por nós, mas somos perfeitamente capazes de decidir por nós mesmos, afinal, a vida não é isso? Um passo atrás do outro, num ritmo bom, e a gente chega onde a gente pertence. Dizem que a gente precisa girar o mundo pra descobrir que o nosso lugar é onde nós estamos. E é. Ou não. Nosso lugar é onde estamos bem, já tá na hora de ir atrás desse lugar, tá na hora desde que a gente se entende por gente. Afinal, por que estaríamos aqui se não por isso, descobrir nosso lugar?!
Um passo atrás do outro. A gente tem capacidade pra levantar das quedas. Pra levantar quantas vezes forem necessárias. Pra seguir em frente sempre. Porque quando a gente não consegue mais levantar, não tem motivos para continuar. Não dá pra se demorar por medo de cair, ou em qualquer tropeção.
Só não dá pra perder o brilho no olhar. Nunca.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Lar.
Tem gente que acha que lar é casa. Coloca aquelas plaquinhas de "lar doce lar" e coisas do tipo e pronto. Eis o lar para elas. Tem gente que realmente tem a casa como lar, ciente ou não disso.
Mas existe uma diferença tão grande entre "casa" e "lar" quanto tem diferença um ministro e um governo. Na maioria das vezes o ministro está lá, mas isso não quer dizer que ele precise estar lá, muito menos que ele representa todo o órgão governamental. Entendeu não? Pera que eu vou explicar direito.
Casa é onde você mora. Fim. Lar é mais abrangente. Lar não é só aquele lugar que você gosta e que se sente bem. Não é só aquele lugar que você não tem vontade de sair. Não é, necessariamente, um lugar que você tem acesso sempre. Não é só um lugar onde os que você ama estão perto. Lar é tudo isso junto. É aquele lugar específico, nem precisa ser a casa toda, pode ser só um cômodo, um cantinho, uma árvore, um lugar com uma vista bonita, que você se sente tranquilo, em paz, como se nada pudesse te atingir. Como se, se o mundo acabasse naquela hora, você morreria feliz.
O meu, por exemplo, é na varanda da minha casa no Crato. Mas não é só a varanda vazia, tem que ter uma rede. E um edredom. E um travesseiro. E um livro. Daqui eu sinto o vento que só esse clima daqui proporciona, eu vejo muitas arvores e o céu. Sempre passam pássaros e eu escuto o canto deles todas as vezes. Um jambeiro fica do meu lado, como se me desse aconchego, e três palmeiras alinhadas lá longe balançam de um jeito leve. O som do rádio na cozinha fica lá, distante, como um burburinho, e a chapada fica ali, no horizonte, imponente, verde, me dando uma sensação de segurança. O quarto dos meus pais fica ligeiramente ao lado e eu sei que eles estarão ali quando for preciso. Raramente alguém me procura aqui, aí eu tenho o tempo que eu me der pra ficar tranquilo, bem, em paz. O tempo podia parar, e eu estaria feliz.
Eis o que é um lar para mim.
Mas existe uma diferença tão grande entre "casa" e "lar" quanto tem diferença um ministro e um governo. Na maioria das vezes o ministro está lá, mas isso não quer dizer que ele precise estar lá, muito menos que ele representa todo o órgão governamental. Entendeu não? Pera que eu vou explicar direito.
Casa é onde você mora. Fim. Lar é mais abrangente. Lar não é só aquele lugar que você gosta e que se sente bem. Não é só aquele lugar que você não tem vontade de sair. Não é, necessariamente, um lugar que você tem acesso sempre. Não é só um lugar onde os que você ama estão perto. Lar é tudo isso junto. É aquele lugar específico, nem precisa ser a casa toda, pode ser só um cômodo, um cantinho, uma árvore, um lugar com uma vista bonita, que você se sente tranquilo, em paz, como se nada pudesse te atingir. Como se, se o mundo acabasse naquela hora, você morreria feliz.
O meu, por exemplo, é na varanda da minha casa no Crato. Mas não é só a varanda vazia, tem que ter uma rede. E um edredom. E um travesseiro. E um livro. Daqui eu sinto o vento que só esse clima daqui proporciona, eu vejo muitas arvores e o céu. Sempre passam pássaros e eu escuto o canto deles todas as vezes. Um jambeiro fica do meu lado, como se me desse aconchego, e três palmeiras alinhadas lá longe balançam de um jeito leve. O som do rádio na cozinha fica lá, distante, como um burburinho, e a chapada fica ali, no horizonte, imponente, verde, me dando uma sensação de segurança. O quarto dos meus pais fica ligeiramente ao lado e eu sei que eles estarão ali quando for preciso. Raramente alguém me procura aqui, aí eu tenho o tempo que eu me der pra ficar tranquilo, bem, em paz. O tempo podia parar, e eu estaria feliz.
Eis o que é um lar para mim.
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