terça-feira, 6 de outubro de 2015

Sobre tristeza e alegria

Eu queria saber chorar.
Eu queria ter facilidade pra chorar.
Eventualmente eu me fechei demais e isso tá me fazendo implodir.
Cada vez maior, cada vez pior.
Meus olhos ardem, meu sono desaparece, mas as lagrimas não vem.
Eu me fechei demais.
E agora eu perdi a chave pra me abrir de novo.
Eu queria conseguir chorar.
Porque as vezes, tudo que a gente precisa é derramar umas lagrimas.
Mas minha reserva foi lacrada num cofre que a senha talvez nem mais exista.
Tudo que eu precisava agora era isso: soltar toda a tristeza que me afunda.

E chorar.

Porque meus sorrisos se esvaem,
Minhas gargalhadas são menos frequentes,
Minha disposição foge de mim,
Meu sono já me abandonou,
Meu apetite fraqueja,
Meu julgamento parece menos certo,
E por mais que eu cante pelos cantos, são só músicas decoradas, não há sentimento.
Talvez, por não conseguir estar triste, não consiga estar feliz também.
Talvez por ser tão triste, quem esteja me abandonando seja a alegria.
Mas ainda assim sei que tem um amanhã,
E contra todo o fluxo de sentimentos negativos e pessimismo,
Sempre tem a esperança de que o amanhã seja melhor,
E eu consiga chorar.
Talvez eu só seja bipolar.

.

Tristeza.





Falta de apetite.




Insônia.



Indisposição.


Auto-pessimismo.

Dor na coluna.
Eu.


terça-feira, 26 de maio de 2015

Valorizem a nossa Cultura!

  Valorizem a nossa cultura!

Nós somos o país do aconchego! Experimenta achar isso fora do Brasil.

Nós somos o país do cumprimento caloroso! Experimenta achar isso fora do Brasil.

Nós somos o país em que cerveja se toma dividindo! Experimenta achar isso fora do Brasil.

País do sorriso ao dar informação!

País das músicas típicas que são espetaculares!

Forró, samba, bossa nova, sertanejo...

País do bar/restaurante/lanchonete no meio das calçadas!

Das praias mais bonitas que esse mundo pode oferecer!

Das comidas únicas, cheias de sabores!

Feijoada, baião, pão de queijo...

Das músicas ao vivo em todo canto!

Somos o país das fogueiras de São João e, por que não?, das festas de carnaval.

Somos o país de movimentos artísticos excelentes! De música vinda de quase todas as classes sociais.

Jovem guarda, tropicalismo, bossa nova...

Somos um país com cinema excelente!

Somos o país onde se limpa a casa para a visita chegar!

Isso, caríssimo, ainda não vi lugar nesse planeta que ofereça! Palavras de quem já procurou.

Valorizem a nossa cultura! A nossa diversidade!

Parem de procurar o estilo de vida dos estrangeiros, todo lugar tem seus milhares de problemas!

Parem de querer viver onde eles vivem! Nós podemos adaptar as vantagens deles para a nossa realidade!

Orgulhem-se da nossa cultura! E, aí sim, podemos começar a mudar pra melhor. Mas do nosso jeito, na nossa realidade e para o nosso estilo de vida.... Oxênte!

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Preto e Branco

  Eu adoro finais felizes.
É só isso. Eu adoro finais felizes.
Odeio filmes de drama. Enquanto houver um feliz, por que optar por um triste?

Mas eu sou cético. Sempre fui. Provavelmente sempre serei.

Eu já vi demais pra ser crente, eu já perdi minha fé.
E é por isso que eu adoro finais felizes. É por isso que eu odeio drama.
Eu já carreguei peso demais da tristeza dos outros, eu carrego pesos que eu nem queria carregar.
Pior: eu sei que isso é muito pouco perto do que mais da metade do planeta passa.

Eu sou só um pilar que sustenta tristeza que nem sempre preciso e que se sustenta em felicidade, mesmo que irreal, mesmo que pouca. Eu acho que só preciso disso pra me manter em pé, e eu sou um pilar forte, mesmo que nem sempre util.

Eu odeio tristeza, mas talvez a vida seja sobre isso...
achar o equilibrio entre ambos.
Tristeza e felicidade,
Preto e Branco,
e a gente no meio.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Sobre buracos e vácuos.

  E descobriu que possui vácuos. Vácuos tão grandes que sempre o deixam com um vazio por dentro.
Sempre.
Desde que se entendo por gente.
Talvez por isso encontre nas suas mãos o nervosismo que sua mente, dita centrada, tão inconscientemente precisa preencher em outro lugar. Talvez por isso ele beba constantemente e assiduamente, como se pudesse preencher esse vazio com o gosto amargo da cerveja.
Talvez por isso ele, através das mesmas mãos nervosas, não conseguisse representar todas as imagens fantásticas que lhe vinham à mente, por mais que tentasse e tentasse e tentasse.
Talvez por isso nunca se sentisse tão mal como deveria em uma ressaca.
Talvez por isso nunca tenha tentado preencher esse vazio com amizades que, de tão vazio que já se sentia, não achasse que poderia confiar tão grande espaço a qualquer um.
Talvez, por nunca ter encontrado um propósito, jamais tenha dado o 100% que aquele buraco tomou.
Procurava algo que o pudesse surpreender e não achava. Não encontrou na Europa. Nem nas Américas. Não encontrou nas festas nem nos beijos, e pouco, muito pouco, nos livros.
Buscou algo que pudesse preencher esse vazio tão imenso e nem mesmo quando encontrou um grande amor, talvez aquele pra vida toda, conseguiu preencher por muito tempo aquele buraco negro que suga toda a felicidade.
 Logo se desestimula com todas as atividades que lhe impõe. Tediosas. Monótonas.
 Nunca conseguiu sequer seguir o próprio pensamento. Era feito de pensamentos, mas não de atitudes, sua voz raramente acompanhava a mente. Talvez aí residisse o vácuo. Talvez aí ele morresse e revivesse todos os dias.
 Derramou muitas lagrimas por banalidades, prometeu nunca mais o fazer tão facilmente.
 Quis ser a rocha que nunca achou pra se sustentar. Quis ser a coluna inquebrável que nunca encontrou. Se fez impenetrável.
 Sendo vazio, procurou preencher os buracos que encontrava, buscava equilibrio. E enquanto fechava buracos, achava remendos para o seu, mas jamais um preenchimento definitivo.
 Aprendeu a ser tolerante, quando viu tanta intolerância. Aprendeu a ouvir no lugar de falar. Aprendeu a respeitar, quando encontrara conflitos sem solução aparente.
Cresceu na mente.
 Mas a rachadura de dentro nunca foi consertada. Aquele vazio continua lá, crescendo junto com a mente.