segunda-feira, 12 de julho de 2021

 Tu há de me perdoar, querido

se aqui te escrevo palavras rebuscadas

mas é com tudo que estou munido

depois de tantas empreitadas


por ti vivi, chorei, sofri

por anos a fio, em teus braços me aquietei

até que um dia apenas morri

e quantas vezes desfaleci, diante do que lidei?


mas sei que com tu foi igual

em minhas tempestades turbulentas

deixei teu coração em chuva torrencial

e quantas tormentas, quantas tormentas...


Há tu de me perdoar, querido?

depois de tanto tempo passado

depois de tantos fatos ocorridos?

estaria então tu, renovado?


por ti morri, e sorri, e dancei, e dormi

encontrei um porto seguro

mesmo que sem um sequer alibi

derrubou todos os meus muros


de minha parte agora há perdão

pois se venho com rebusques

já não me sobra dor, apenas consideração

pois o amor não é marquês


e se agora te falo português

já não há mais paixão.

já se foram dois dias, um ano, ou três

e agora durmo em paz no meu colchão.


pois o amor é ininteligivel,

e se aqui me faço claro,

ele já não é legivel,

mas sempre me foi caro.