Tu há de me perdoar, querido
se aqui te escrevo palavras rebuscadas
mas é com tudo que estou munido
depois de tantas empreitadas
por ti vivi, chorei, sofri
por anos a fio, em teus braços me aquietei
até que um dia apenas morri
e quantas vezes desfaleci, diante do que lidei?
mas sei que com tu foi igual
em minhas tempestades turbulentas
deixei teu coração em chuva torrencial
e quantas tormentas, quantas tormentas...
Há tu de me perdoar, querido?
depois de tanto tempo passado
depois de tantos fatos ocorridos?
estaria então tu, renovado?
por ti morri, e sorri, e dancei, e dormi
encontrei um porto seguro
mesmo que sem um sequer alibi
derrubou todos os meus muros
de minha parte agora há perdão
pois se venho com rebusques
já não me sobra dor, apenas consideração
pois o amor não é marquês
e se agora te falo português
já não há mais paixão.
já se foram dois dias, um ano, ou três
e agora durmo em paz no meu colchão.
pois o amor é ininteligivel,
e se aqui me faço claro,
ele já não é legivel,
mas sempre me foi caro.