Hoje eu vi uma pessoa perguntando no Instagram como você queria ser lembrado quando se fosse, e aí me deu vontade de escrever. É uma pergunta simples mas com resposta tão complexa quanto nossa propria personalidade, né? Me passou um turbilhão de opções na cabeça, mas no fim acabou em um lago.
Um lago de águas calmas, que você vai pra descansar, pra refletir, pra se inspirar. Um canto privado que você considera seu mas sabe que é de quem souber dele. Aquele lago que deve estar cheio de monstros, mas que nunca apareceram, ou pelo menos não de forma agressiva. Aquele reservatório de água que por mais turbulenta que esteja a tempestade, vai sempre estar ali, sem grandes ondas. Aquele canto que você sabe que tem milhões maiores e melhores no mundo, mas que não perde em beleza por isso.
É como um lago assim que quero ser lembrado. Velejavel, profundo e excitante, mas ao mesmo tempo monótono e confiável. Adaptavél, firme e líquido. Nada demais, nada de menos. Uma experiência agradável, feliz. Um lago vivido, com suas cicatrizes em formas de pequenos rios que sangram. Um lugar pra descansar e ter paz.
Um ombro amigo, um bom ouvido, um conselho as vezes bom, as vezes meia-boca. Alguém que viveu bem e que nunca foi essencial, mas sempre foi uma constante boa e construtiva na vida dos outros. Um sorriso e um empurrão.
É assim que eu quero ser lembrado.
E ainda assim, o que fica são as memórias que os outros tem de nós, não as que tentamos construir. A parte triste é que nada garante que tenhamos a resposta para como de fatos vamos ser lembrados. Porque garantido mesmo, a gente só tem o agora.