É quase que poético toda essa coisa de se libertar das amarras sociais, de procurar algo novo e deixar para trás um amor que talvez não faça mais sentido.
Quase.
Talvez para alguém que olhe de fora, ou leia isso em um livro. Mas para quem vive, para quem está ali junto, isso é o inferno. Você conseguir se desprender das coisas que você se acostumou a ter e viver é um dos processos mais dolorosos que já vivi.
50 chibatadas não seriam nada perto disso. É dor no coração, é dor na alma. É o machucar para se libertar, é, de alguma forma, fugir. E para percorrer esse caminho é preciso passar por cima dos sentimentos daqueles que nos prendem, mesmo que sejam os mais bem intencionados, mesmo que sejam os melhores.
Porque a doença da vida é a necessidade de mudar. É o não se manter onde está. É o machucar e ser machucado, é o lutar cotidianamente, é o descobrir e descobrir-se. E para tal, as vezes, é necessário passar por cima da vontade do próximo, vontade essa que você em um outro momento se pré-dispôs a abraçar e aceitar.
Dói.
A dor de saber que você precisa machucar naquele momento para crescer. Não o se machucar, isso a gente consegue carregar sem muito peso na alma, mas o machucar o próximo. Machucar quem quer nos afagar. Machucar quem a gente ama e quem ama a gente.
Como a gente pode viver tranquilo com essa realidade?
50 chibatadas e um copo de cachaça, por favor.