sábado, 30 de dezembro de 2017

Aquele textão sobre 2017

  Me falaram esses dias que 2017 foi o ano de mudanças, ciclos, segundo a astrologia. Olhando pra trás, eu consigo ver os inúmeros ciclos que entrei e sai, alguns ciclos que vieram de antes de 2017 se fecharam, outros começaram e não acabaram. Desde pequenas mudanças até relacionamentos. De fato, foi um ano bem intenso, com todos seus lados positivos e negativos.
  Em 2017 eu voltei um relacionamento que me consumia, testei novas possibilidades, descobri novos caminhos. Eu machuquei como jamais imaginei que pudesse e isso reverberou em mim com uma força incrível. Eu entendi o peso de uma traição e a força de um querer. Em 2017 eu vivi relacionamento aberto e até ménage. Eu embarquei numa viagem incrível mas profunda demais pra mim. Fechamos.
  Lá pro meio de 2017 eu me vi com mais clareza. O que eu almejava, o que eu sentia falta, o que eu queria fazer da vida. Mas eu ainda estava imerso demais no ciclo da depressão pra fazer algo a respeito. Eu sofri bastante ao lado do meu melhor amigo, que tava passando pelo mesmo problema.
Eu me desesperei por certas vezes por ver que conselhos não servem de nada se não forem seguidos, que eu era incapaz de ajudar e só podia dar meu ombro quando ele precisava, esperando tempos melhores.
  Em Novembro eu consegui meu primeiro dinheirinho com trabalho próprio. Foi pouco e sem continuação, mas foi um momento libertador. Uma amarra a menos, mesmo que por uma fração de semanas. E consegui um estágio! Marina, essa pessoa iluminada que passou no meu caminho e ficou no meu coração, conseguiu uma entrevista pra mim e eu amei o trabalho, as pessoas, a rotina. Ainda nesse mês eu cheguei no auge da minha liberdade, no auge da minha independência, no auge da minha felicidade: eu acordei um dia e decidi ser feliz.
  Parece simples, parece até óbvio, mas não é. Naquele dia eu entendi que o que eu passava até então era, de fato, depressão. Eu senti aquele peso indo embora e foi um dos momentos mais aliviantes da minha vida, se não, o mais. E pra chegar naquela manhã que eu acordei e decidi ser feliz eu precisei de 24, quase 25 anos da minha vida trabalhando diariamente pra combater aquilo e olhe, não foi fácil.
  Quantas vezes eu não tinha forças pra levantar da cama? Quantas vezes eu chorei só em casa? Quantas vezes chorei por pura tristeza? Quantas vezes pensei me me matar? Quantas vezes me doía pensar em ver outras pessoas? Sair? Socializar? Quantas vezes bebi só para fingir alegria? Quantas vezes?
  Mas eu superei.
  Mas aquele dia chegou. 20 de Novembro de 2017. O dia que eu acordei e decidi ser feliz.
  E eu comecei pela parte que mais me deixaria marcas, a parte mais difícil de ser feita: meu relacionamento. Acabei. Doeu. Mas foi um alívio enorme no fim, porque já não cabia mais. Eu já podia ver que apesar do querer, o viver não fazia bem. E deixei ir, e também fui. Comecei a caminhar. Exercício diário, rotina, alimentação. Eu passei a ver que não precisa comer demais, isso era ansiedade. Que certas comidas não faziam bem. Que meu corpo falava e que clamava pelo fim do álcool. Ainda clama. E pouco a pouco, um passo de cada vez, eu sigo atendendo a estes pedidos, sigo tentando respeitar o meu templo, o meu lar.
  Tive duas luzes guias que me permitiram chegar onde cheguei nesse ano: Guga e Lara. Lara me ensinou que devemos ser mestres dos nossos corpos, não podemos nos submeter a vontade de coisas materiais. É preciso gerenciar. Guga, depois de tanto proferir "leia Osho, leia Osho" me emprestou os e-books budistas que vivia aconselhando. E, de verdade, eles estão mudando minha vida drasticamente. Eu finalmente estou Feliz. Eu finalmente estou Pleno.
  E apesar de o caminho ser longo, eu vou iniciar o ciclo de 2018, ano das conquistas segundo a astrologia, com paz de espírito e harmônia de Ser. :)

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Pequenas sessões de auto-psicologia 2

É quase que poético toda essa coisa de se libertar das amarras sociais, de procurar algo novo e deixar para trás um amor que talvez não faça mais sentido.
Quase.
Talvez para alguém que olhe de fora, ou leia isso em um livro. Mas para quem vive, para quem está ali junto, isso é o inferno. Você conseguir se desprender das coisas que você se acostumou a ter e viver é um dos processos mais dolorosos que já vivi.
50 chibatadas não seriam nada perto disso. É dor no coração, é dor na alma. É o machucar para se libertar, é, de alguma forma, fugir. E para percorrer esse caminho é preciso passar por cima dos sentimentos daqueles que nos prendem, mesmo que sejam os mais bem intencionados, mesmo que sejam os melhores.
Porque a doença da vida é a necessidade de mudar. É o não se manter onde está. É o machucar e ser machucado, é o lutar cotidianamente, é o descobrir e descobrir-se. E para tal, as vezes, é necessário passar por cima da vontade do próximo, vontade essa que você em um outro momento se pré-dispôs a abraçar e aceitar.
Dói.
A dor de saber que você precisa machucar naquele momento para crescer. Não o se machucar, isso a gente consegue carregar sem muito peso na alma, mas o machucar o próximo. Machucar quem quer nos afagar. Machucar quem a gente ama e quem ama a gente.
Como a gente pode viver tranquilo com essa realidade?
50 chibatadas e um copo de cachaça, por favor.

domingo, 19 de novembro de 2017

Pequenas sessões de auto-psicologia

...
- Tá tudo tão estranho, véi. As vezes eu acho que sou muito louco por não saber ser feliz com o que tenho. Não tem uma reclamação oficial pra nada, mas meu corpo clama por mudança, e as vezes quando mudo, sofro por não estar como estava antes.
- E a mudança não é exatamente o que a gente precisa? Não é tudo nessa vida sobre mudança, no fim das contas? Pensa bem, se a gente não muda, nada muda e não tem porque continuar. Nunca foi sobre chegar no destino, é sobre continuar caminhando e não parar.
- Mesmo quando se trata de amor?
- Mesmo quando se trata de amor. Principalmente! Não é o amor o caminhar juntos? Erra quem acha que é o sentar junto, se acomodar. É o viver juntos, é o desbravar o mundo e a si mesmos juntos. É o companheirismo e o ombro pra amparar o peso dos próprios demônios e tornar a jornada mais leve.
- E essa vontade estranha de se acomodar? de achar um lugar meu e poder tornar meu porto seguro? Não é isso abandonar toda a jornada, parar de caminhar?
- É? Ter um lugar para relaxar é importante. A jornada é o mais importante, mas ninguém vai todo o caminho de uma vez, o descanso é absurdamente necessário para ir mais longe. Nem sempre é sobre distância, mas sobre crescimento, sobre olhares e pontos de vista. Você se sente crescendo?
- ...Sim. Mas me sinto cansado, eu não encontro um porto seguro e isso me cansa. Essa constante incerteza e infelicidade que insistem em me seguir. E quanto à infelicidade de quando mudo e queria voltar ao que era antes?
- Isso é a dor da adaptação, filho. O corpo que estava acostumado a algo que já foi tem dificuldade em se encaixar em novos lugares e pessoas. Lei de Newton, é a própria natureza atuando. Isso fortalece, melhora.
- Independente do caminho?
- Talvez sim, talvez não. Há caminhos que lhe levam para lugares piores. há os que levam para lugares melhores, mas cada um traz suas vertentes positivas e negativas. As vezes um passo pra trás pra dar dois pra frente, as vezes só um pra frente mesmo.
- Tudo é muito complicado :(
- Talvez, mas evita se pressionar. A vida é mais sobre viver e menos sobre pensar sobre ela. Levanta, vai ver o sol, constrói teu porto e veleja. Encontra tua liberdade. Pessoas são só pessoas no fim das contas.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Acorda, menino!

  E por quanto tempo você vai continuar perdido, menino, antes de finalmente se achar? A vida segue lá fora, com todas as suas imperfeições, e sua tristeza não vai mudar isso. Muito menos seu estado estático.
  É assustador, eu sei. Mas se você não levantar, nada vai mudar.
  Põe um sorriso no rosto e segue um rumo, menino. Qualquer rumo. Sai dessa cadeira, sai dessa cama. Cozinha um prato gostoso, limpa teu quarto, pega um vento. Vai ver o mundo, pode começar da janela.
  Aprende a amar, mas primeiramente aprende a se amar. Busca tua felicidade, mesmo sem saber qual o rumo. Procura. O entusiasmo do destino depende de quão longa foi tua jornada e enquanto você tiver duas pernas e vontade de viver, só vai.
  Respeita. Lembra sempre que ninguém é igual a ninguém, que as realidades variam e as opiniões também. Isso que é um dos maiores problemas, também é uma das maiores dádivas.
  Lembra de levar pouca coisa, só o necessário. Desapega do material. Nada te pertence, nem a mais ninguém. A vida acaba e a gente não leva o que juntou. Então se mantenha leve, não só de corpo, mas também de espírito. E aprecia as coisas ao longo do teu caminho, evita destruir e ajuda a construir.
  Onde não puderes amar não te demores, dizia Frida, e ela estava certa. Algumas coisas a gente não pode mudar, só aceitar. Não vale a pena lutar algumas vezes, então aprende a pesar.
  É muita coisa pra fazer, eu sei. Mas cada passo é um passo e o futuro nunca chega. Foca no primeiro que o resto segue.
  Acorda, menino! E vai tomar um café. O dia já já começa.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Tristão e Isolado

  Eu sou uma pessoa incrivelmente estranha. Apesar de que isso possa ser uma afirmação um tanto estranha quando você sabe que podem haver milhões de pessoas tais quais você. Ou todas diferentes. Enfim. 
  Infelizmente eu nasci numa época e lugar não tão bons quanto deveriam, porém não tão ruins quanto poderiam também. Não que eu esteja me reclamando, mas apenas serve de justificativa para algumas coisas minhas que me aprisionam (termo que segue me atormentando apesar de tantas quebras de correntes) ainda. É triste ver que eu não consigo, por exemplo, chorar como eu chorei 5min atrás na frente do meu melhor amigo que mora comigo porque ele chegou e eu não sei lidar com isso.
  As lágrimas somente se esvaem, sabe? Ele sentou na minha frente, de costas, vendo seriado, e eu chorei. Mas nunca ousaria chorar na frente dele. Apesar de sentir que ele acordou do nada por isso, apesar de ver meu gato vindo pro meu lado (coisa que ele faz pouco) e deitar. Mas a verdade é que eu não consigo ser aberto assim. Tem uma casca muito dura ao meu redor que, aparentemente, vai muito mais profundo do que o meu coração, que já abri e entreguei.
  É triste as vezes perceber que a vida não é um grande show e que todos esses pequenos momentos vão se perdendo pra ninguém além de mim mesmo. E é ridículo pensar que isso um dia vai ser interpretado por alguma ciência evoluída que possa interpretar correntes de energia cerebral dispersas (isso existe?). Enfim. É triste sofrer em solidão quando você tem plena consciência que não precisa mas ainda assim não consegue. É triste ver que você sabe que poderia ir a um psicólogo mas não consegue por algum medo interno desconhecido(?)
  Enfim, é triste.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Um texto sobre decepção

Desde o primeiro dia eles me falaram que eu podia ser feliz. Que eu era livre pra escolher o que queria. Que o mundo é enorme e cheio de belezas. Desde que me lembro, sempre fui encorajado a perseguir meus sonhos e que eu tinha tudo pra alcançá-los.
Mas ninguém me contou que essa liberdade era uma mentira. Que a justiça que idealizamos é diferente da justiça natural. Que não escolhemos onde nascemos, ou em que condições. Ninguém me disse que eu podia sim perseguir meus sonhos, mas só depois de perder minha infância com pessoas que eu não gostava, de ser obrigado a estudar o que não queria, de viver sendo julgado por ser quem eu queria ser. Ninguém me disse que eu era livre, mas só depois de dedicar uma vida para começar a ter a possibilidade de entrar num mercado de trabalho que eu não concordava, para poder ter uma pequena autonomia em relação a quem me sustentava, e que eu era privilegiado por ter quem me sustentasse. Ninguém me disse que mesmo assim, eu teria q continuar pelo resto da vida trabalhando para poder ser livre, porque esse é o tipo de liberdade que se podia conseguir.
Ninguém me disse que eu ia ser escravo dos meus próprios sentimentos e que teria que morar onde não quero para poder ser feliz um dia. Um dia.
Ninguém me disse que esse mundo é lindo, mas que criamos livros e filmes e histórias de lugares muito melhores para aliviar e fugir do pesar dessa existência. Ninguém me disse. Ninguém me disse que as coisas mais bonitas desse mundo são passageiras e que acabam num piscar de olhos, e que elas podem machucar mais do que qualquer outra coisa. Ninguém disse que quase sempre eu não ia ter vontade de levantar da cama por achar que o mundo não tem nada pra me oferecer, ou vice versa.
Ninguém me disse que se eu quisesse suceder nesse mundo, teria que estudar sobre tudo e entender como somos governados. Ninguém me disse que não sobraria tempo pra ser feliz nesse processo.
Ninguém me disse. Mas me disseram pra correr atrás dos meus sonhos e ser feliz. Eu não podia, a liberdade que me prometeram não existia.

terça-feira, 2 de maio de 2017

  É engraçado que depois de uma conversa dessas eu esteja bem. Eu tava bem bad mesmo, mas saber que tu está bem, que tu conseguiu o que eu sempre te desejei, de alguma forma me fez ficar bem mais calmo. É bom saber que aquele sentimento egoísta que eu achei que teria ao te ver feliz não veio. Eu falei absurdamente sério quando disse que fiquei orgulhoso de tu também, André. E isso me permitiu ficar orgulhoso de mim também, por conseguir receber sua felicidade tão bem. De alguma forma refletiu em mim. Então obrigado por isso. Até quando não é tua intenção, tu consegue me trazer algo bom. :)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

  Ei Deco, é meio engraçado eu estar fazendo desse blog um diário dirigido a tu, sabendo que você provavelmente nunca vai ver. Mas me dói não poder te falar tudo o que estou sentindo, me dói não te ter aqui pra conversar, pra dar um abraço, então me perdoa por estas palavras não ditas, eu não tenho muita escolha :(.
  Eu não sei mais o que fazer, sabe? Eu sou uma pessoa que passei mais da metade da minha vida vivendo uma constante auto-sabotagem e eu demorei bastante pra entender isso. E eu te conheci, e tu me fez um bem tão enorme que não importa quantas vezes eu já tenha te dito isso, tu nunca vai ter noção. E eu encontrei em você a cura pra minha tristeza, a motivação pra seguir em frente que já me estava faltando. E eu acordei feliz TODOS os dias que tu estava lá comigo, todos. E a gente seguiu um caminho perigoso, né?
  Eu não sei ainda o quanto eu errei ao terminar esse namoro, Deco. Eu passei duas semanas pedindo pra morrer, de verdade. E de repente, um dia eu só acordei bem. Simples assim. Mas eu não estava 100% bem, eu nunca estive. Todos os dias desde que a gente terminou eu me pergunto como você tá, eu desejo de todo o meu coração o seu bem, que você consiga ser feliz. Eu me preparo todos os dias pra te ver com outra pessoa, feliz e poder segurar minhas lágrimas pra te desejar a felicidade que eu de fato te desejo.
  E aí um belo dia eu somente sonhei contigo. E eu não te disse essa parte, mas a gente ficava no sonho também... e eu penso que no teu também, né? Não ia fazer muito bem essa parte ficar clara. E a bad voltou, Deco. Com uma força enorme, me fazendo repensar tudo aquilo que eu não consegui deixar certo na minha cabeça. Se tu soubesse o tanto de vezes que me dá vontade de desistir desse orgulho ridículo e voltar correndo pra tu, talvez tu tomasse essa iniciativa que eu não consigo ter, que ninguém me deixa ter.
  Eu tenho uma certeza enorme que você já ficou e transou com mais pessoas que eu uma vez mais desde o fim do nosso namoro, eu sempre fui lerdo pra isso né. Mas a verdade é que eu não consigo encontrar nas pessoas algo que me atraia, não por enquanto. Porque eu procuro você, André. Eu teimo em te procurar em lugares que nunca vou encontrar. E isso tá me matando pouco a pouco.
  Sei bem que disse que poderia ser feliz com outra pessoa. E todo fim de namoro é a mesma coisa, eu fico me perguntando se isso é mesmo verdade. Se eu realmente posso. E eu sei que muito pouco tempo se passou, apesar de me sentir preso nesse pesar por uma eternidade.
  Eu sou muito imediatista, tu sabe. E essa espera, esse tempo, pra que o coração acalme está me enlouquecendo, Deco. Meu corpo inteiro grita por tu e eu preciso fingir que não. A minha vontade é de gritar pra ver se a voz encobre essa dor no peito, mas eu sei que não. Então eu choro. Quieto, calado. Esperando um dia essa minha cabeça inquieta se entender, pra que eu não volte correndo pra tu pra te machucar de novo.
  É meio louco isso, né? Eu escutei uma música que tem ficado na minha cabeça muito esses dias. Nome dela é Gente bonita - Fióti, ela fala assim: 
"Desde pequeno mamãe dizia:
"Cuidado com as voltas que o mundo dá

Menino, saiba que a alegria
E a dor 'tão no mesmo lugar"
Amor de verdade é livre
Não fica tentando secar
A diferença entre o remédio
E o veneno, é a dose que se usa
Ainda mais quando se tem afeto
Quando se quer junto, perto
mesmo se o caminho é incerto
Decerto que vale apostar"
    E eu fico me perguntando se esse caminho incerto de tentar voltar e dar certo contigo vale o risco. Mas minha cabeça continua a me responder que não, porque o problema não tá em tu, tá em mim, com essa constante incerteza, com essa constante vontade de mudar, com essa constante auto-sabotagem. Eu acho que me viciei em você, Deco. Porque você foi o remédio da minha insanidade, da insanidade que eu vejo no mundo, e pelo tempo que a gente esteve junto, eu pude ver beleza de novo. Eu pude ter uma paz que eu sei que não é minha. Você quem me deu. E eu viciei.


E essas crises de abstinência tão me matando, porque o mundo perdeu o sentido de novo, quando tu desceu do carro pela ultima vez.
  Obrigado por insistir naquele ultimo beijo, André.
Eu te amo pra caralho,
René.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

INFERNO

  Teve um dia, depois de assistir a mais um filme da Ghibli, Meu Amigo Totoro, que eu sonhei com o pior inferno que já pude sonhar. É um lugar que me dá arrepios até hoje e que realmente me fez acordar suando frio e pedindo segurança. E isso já faz um tempo bem razoável. Mas ultimamente descobri algo ainda pior em relação a ele.
  Vou começar falando do lugar em si. No meu sonho, era um lugar que eu entrava com uma perspectiva de que nada ia acontecer, mas que uma vez dentro, era engolido pelas paredes e chão, a escuridão tomando conta. Um súbito arrepio na espinha subiu logo que vi aquela escuridão: eu não estava só. Tinha algum ser que eu não sabia o que era nem o que queria, mas que começava a me perseguir e eu sabia com todas os átomos do meu corpo que se ele me pegasse, tudo ia piorar ainda mais. Corri. De alguma forma sabia que havia uma esperança pra sair dali: estar no lugar certo na hora certa. Mas eu não tinha ideia de onde poderia ser e isso mudava a cada minuto. Eu sabia que minha família e amigos estavam bem, e também sabia que eles não ficariam tão bem se eu desistisse ali. As paredes mudavam de lugar transformando-se num labirinto infinito e mutável. Vez ou outra uma luz de tocha aparecia junto de portas que davam para câmaras de tortura. Eu escutava gritos e lamentos a todo momento. Não daquele tipo de grito quando se leva um susto ou quando se está bravo, mas do tipo de grito de pura dor. E a cada vez mais que eu corria, mais eu me esgotava e nada mudava na minha situação, eu me esforçava a todo custo para conseguir sobreviver até ter aquela ínfima chance de estar no lugar certo na hora certa. Mas eu cansei. E a criatura que me perseguia finalmente me alcançou. E eu acordei.
  Talvez lendo assim pareça bastante só um conto (não tão) assustador. Mas me deixou aterrorizado viver aquilo em um sonho, e eu vou explicar o porquê. Foi um lugar que me assustou porque apesar do conceito de inferno, como aquele fundo do poço, ou um fim dos tempos, era um lugar que era meu. Ali, só quem estava naquela situação era eu, e isso já é outro ponto: solidão. Além disso, eu sabia que meus amigos e familiares estavam bem, mas que ficariam mal se eu não me recuperasse daquela situação, então eu PRECISAVA seguir em frente, se não por mim, por eles. E havia a possibilidade de sair dali, o que dava esperança. Entendem? Eu não podia desistir. Eu tinha tudo o que eu precisava pra seguir, a esperança de dias melhores e vontade de não decepcionar quem eu amo. Mas isso é que era o aterrorizante. Eu NÃO PODIA desistir. Não era uma opção. E eu precisei correr além da minha capacidade, precisei tentar até o último segundo até desabar e ser alcançado por algo muito mais assustador. Não era a pior situação possível, então eu não podia dizer "daqui eu não passo", eu podia passar, mas eu certamente não queria... e quando queria, pensava nos que me são caros. Acordei suando frio e sem conseguir dormir de novo tão cedo.
  Esses dias, ruminando pensamentos sobre isso como eu faço com frequência desde então, me abateu uma coisa bastante triste: eu comparei aquele lugar com a vida, com a depressão, com a falta de vontade de levantar de manhã da cama. E pior: eu consegui encaixar perfeitamente cada coisa do pesadelo com a realidade. E eu sigo mal desde então com esse pensamento.
  O ser que perseguia é a morte, o lugar, a depressão. A mutabilidade do lugar, a vida. A chance de sair representada no lugar e hora certa, bem, essa varia bastante.. de um amor até um conselho, de uma perspectiva de futuro até um chocolate num dia ruim. Os familiares e amigos ficam exatamente onde estão. E a capacidade de apenas ver escuridão e escutar lamentos é o peso da própria consciência quando se está numa situação depressiva.
  Sem mais, talvez eu viva uma depressão. :(

sábado, 1 de abril de 2017

Eu não tou conseguindo conter minhas lágrimas, André. Eu, logo eu, que me sentia tão firme nas minhas crenças tão mutáveis, agora me sinto como uma sacola, só circulando levada pelo vento, sem chances de saber pra onde estou indo. Há quem veja a beleza no sofrimento, mas nunca o é pra quem o vive, né?
Talvez seja karma, né? Toda a dor que já causei em outras pessoas com meu coração gelado, voltarem agora pra mim de uma forma muito mais dolorosa. De uma forma muito mais assustadora, me quebrando pedaço a pedaço, logo eu, que me sentia tão firme.
E agora, Deco? eu queria muito poder escutar tua voz de novo, me dizendo o que fazer, me explicando o que é certo e me convencendo a ir por um caminho x, porque eu não sei mais o que é certo e errado. Mas você nunca foi desses, né? Você sempre foi flexivel demais pra impor algo, e eu sempre admirei isso em você. Sua adaptabilidade.
Eu tou em um desespero, Deco. Eu não consigo fazer nada, eu só quero que essa dor passe, que eu consiga decidir algo e por um fim nesse sofrimento. Mas eu não sei como fazer isso. Eu não sei o que fazer. Eu disse que ia superar essa dor, e vou. Mas tá parecendo uma eternidade. Nem passou uma semana e eu já estou perdendo a sanidade.
Eu te amo demais, sabe? Sabe quando eu disse que não senti sua falta? Essa falta chegou, e chegou com uma força monstruosa. E apesar disso tudo, eu te amo o suficiente pra saber que eu, não você, mas eu que não estou mais preparado pra esse relacionamento. Eu tenho certeza que tenho algum transtorno de personalidade, vide bipolaridade, e sei que se eu voltasse pra você agora, pedindo perdão, decidido a mudar, eu provavelmente não ia conseguir manter essa palavra. E isso me dói. Saber que sou incapaz de ser quem eu quero ser. De decidir o que eu quero decidir.
Eu tou impotente, André. E a cada dia que passa eu tomo mais ciencia do erro enorme que estou comentendo, mas sei que não é o momento de voltar atrás. Alguns erros não são opcionais serem cometidos, né?
Você é o amor da minha vida, Deco, mas eu provavelmente não sou o da sua.
E eu tou perdendo minha sanidade pra isso.
Eu realmente queria ajuda.
Mas eu sei que não dá.
Não tem ajuda pra isso.
Só tempo.
Tempo.

:'(

quinta-feira, 2 de março de 2017

A Imutável mutabilidade do ser

   De uns tempos pra cá eu tenho observado o mundo de uma forma muito peculiar. De tantas visões que já tive desse universo, e que por tantas vezes já mudei de opinião, me acometeu de observar algo que não mudou em nenhum momento: a mutabilidade das coisas.
   Dentre todas as coisas existentes nesse universo, aprendi a observar a capacidade que as coisas, pessoas e situações tem de se modificar, adaptar-se às novas experiências. Há quem diga que a história se repete, eu digo que mesmo que ela se repita, tudo é diferente, tudo mudou. Por mais que a linha de construção da história (assim como em um livro) seja a mesma, as minúcias de cada situação são diferentes. Tudo muda e isso, ao meu ver, é uma lei regente do universo. Basta só observar os próprios planetas: por mais que sigam padrões de movimentos previsíveis, cada ciclo se dá em um lugar diferente do anterior, cada galáxia já está em outro lugar e nada é o mesmo.
   Essa constatação me faz rever toda uma série de atitudes que eu levava pra vida. Parando pra pensar que tudo muda, nada é permanente, então nada mais racional que a aplicabilidade do desapego e da permissibilidade. O desapego das coisas que na verdade a ninguém pertencem, a realização de que nada nem ninguém podem pertencer a outrem. mas sim, no máximo, estar em posse temporariamente. E, por falar em posse, o desapego do sentimento e necessidade de possessão. A permissibilidade, ah! Essa é a fluidez da coisa. É trabalhar a capacidade própria de se modificar, de se adaptar, de aceitar que nós, também, somos mutáveis (e como!). É o aprender a nos conhecermos e entendermos as horas de parar, de continuar, de dar um passo pra trás ou pra frente. É o entender de que as vezes, mesmo se estando parando se muda drasticamente, e as vezes, mesmo estando em constante movimento as mudanças podem ser ínfimas. É, enfim, compreender que nem amizades, nem o amor da sua vida é pra sempre. Que quando nos recusamos a mudar, o mundo ao nosso redor muda. Que vale mais a pena seguir uma correnteza do que tentar ficar no mesmo lugar dentro dela.
   A vida, sob essa perspectiva de constante mutabilidade, é como uma dança: é preciso estar em movimento para que ela possa existir.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

  Eu costumava pensar que a saudade era a maior dor que o ser humano poderia ter. Achava que quando perdíamos alguém querido, era a saudade infinita que fazia o peito doer a ponto de quase explodir. A vontade de ter aqueles momentos de novo, sem poder.
 Venho descobrindo, porém, que não é a saudade quem dói. O que realmente dói é a perda. A infindável verdade de que não se pode mais ter aquilo que tanto sentimos falta. Claro, a saudade é o impulso da dor, mas a dor está na dura realidade que nos espeta o peito e nos faz ter menos vontade de levantar pelas manhãs: você não tem mais aquilo.
  E hoje, eu tou sofrendo particularmente mais o peso das minhas decisões.
  Eu só queria um abraço teu :(