terça-feira, 20 de março de 2018

"Ninguém merece morrer"

  "Ninguém merece morrer". Uma frase perdida em um texto que me abala mais do que a mensagem do próprio. Por quê? Por que ninguém merece morrer? O que há de tão ruim nisso?
   É o medo do desconhecido, né? Aquela frustração de separação e o medo do que não entendemos. Desejar a morte de outrem é algo tão ruim assim? Provavelmente. Acho que depende da intenção, há casos e casos. Alguém que está sobrevivendo por aparelhos, sofrendo e vivendo de dor... é tão ruim desejar que ela embarque nessa etapa desconhecida, com mais possibilidades do que a atual? Particularmente acho que não. Mas quando desejamos a morte apenas para causar um dor e sofrimento em outrem, aí sim.
   Acho que a gente aprende muita coisa inútil e esquece do essencial. Nossos corpos tem limites, como tudo no mundo, e a gente só vive o que nossos corpos nos permitem viver, cabe a nós cuidar bem dele. A morte, tal como a vida, é parte essencial do ciclo do mundo, do universo. Tudo tem um momento de nascimento e morte, independente de crença e religião. E, apesar de a maior parte do mundo ser religiosa, as pessoas parecem esquecer disso.
  A verdade é que, independentemente de merecer ou não, todo mundo vai morrer.
  Cabe a nós aceitarmos isso.
  

quarta-feira, 14 de março de 2018

  Hoje eu descobri o porquê de você estar junto comigo me fazia tão mal. Hoje, de novo, toda a insegurança que eu sentia voltou. A vontade de chorar, a falta de saber como agir. Eu nunca associei essas coisas a você, e hoje eu descobri o porquê: porque a insegurança é minha. Eu nunca soube lidar com sua personalidade, seus gostos e manias. Eu provavelmente nunca saberei, e nem preciso mais. A única coisa que me faz vir aqui escrever sobre você de novo é esse fantasma seu, que teima em me seguir, que teima em estar em toda válvula de escape que eu encontro. Mas eu já tou aprendendo a fazer minha água benta. Exige muito, mas eu estou conseguindo exorcizar você de mim. Do lugar que eu te coloquei com o intuito de nunca mais tirar, como uma bala no corpo já cicatrizado. Como meus pinos no pé.
  Uma hora teu espectro, que alcança tão longe, vai parar de me afetar. Mas não hoje.


Não hoje.