segunda-feira, 8 de outubro de 2018

  É extremamente bizarro isso. Isso tudo. As piadas, a graça da pessoa que está cômoda, ou acha que está. O voto tão ofensivo dentro da própria família que dói no corpo. A falta de consciência  funcional pra votar está matando pessoas. Pessoas por serem quem são. E isso porque ele ainda nem ganhou.
  Eu realmente espero que as risadas irônicas do meu primo que usa maconha, que infelizmente ainda é ilegal, para com meu medo do fascismo que se aproxima sejam apenas justificadas. Eu tenho medo. E depois de tanto tempo, eu realmente pensei em suicídio. Eu tava tão bem, caralho. Tão bem.
  Eu não quero lutar e gastar minha vida por um governo temporário, independente de quão repressivo ele seja. Eu quero ser feliz e o mundo é grande. Eu vivo num país que nunca me aceitou muito bem, numa cidade que nunca me aceitou muito bem, e sempre foi mútuo. Eu não quero fazer parte disso e ainda assim, não quero ser omisso ao mau que projeta uma sombra tão grande em cima de tanta gente.
  Eu não quero participar disso, e ainda assim, eu não posso abandonar os meus. Eu aprendi a amar e a empatizar e, quem diria, isso pode ser a causa da minha morte. E dói. Todo dia, todo minuto. Se só  a sombra é isso, imagine o que não seria quando ela chegar.
  Eu só quero ter forças pra lutar. E eu tento seguir firme até lá. Esperando pelo menos mau, mas as esperanças vão oscilando muito, e o corpo enfraquece. Eu preciso lembrar todo minuto que não estou só.
  E eu sigo, cambaleando, tentando juntar forças pra uma luta que pode derramar meu sangue e ainda assim perdermos a luta. Eu sigo com cada facada que já recebo por opressão e falta de apoio. Facada por negligência de familiares, de quem eu julguei amigx.
  Mas a gente luta, né.

  De uma forma ou de outra....

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

  É estranho que depois de 25 anos e sei lá quantos meses, eu finalmente venha entendendo o porquê de eu beber tanto. Mas vamos começar devagar, né? Eu comecei a beber com uns 14 anos e desde então só ladeira abaixo. Eu sempre bebi muito, sem propósito e sem limites. Não que eu tenha passado mal ou dado trabalho muitas vezes, meu corpo sempre me regulou nisso. Ele sempre sabe a hora de ir pra casa.
  O que acontece é que eu acabei de notar que eu bebo não pra diversão (que eu talvez achei que fosse por um tempo), nem pra me socializar (como eu me enganei achando que fosse) e nem sequer porque eu gostava (como eu me iludo até hoje). Eu bebo pra entorpecer todos os meus medos. Meus anseios, minhas correntes. Sabe aquela história da adaptação dos animais à selva? ou qualquer outra história de adaptação, na verdade... que leva tempo. Leva. Muito, no meu caso.
  E eu tenho muito medo de tudo ainda. De tudo que é novo, de tudo que eu não estou me adaptando, de tudo que eu não quero me adaptar.
  Viver é uma bosta. Mas a gente segue tentando.... e tentando..


...sempre tentando....

terça-feira, 20 de março de 2018

"Ninguém merece morrer"

  "Ninguém merece morrer". Uma frase perdida em um texto que me abala mais do que a mensagem do próprio. Por quê? Por que ninguém merece morrer? O que há de tão ruim nisso?
   É o medo do desconhecido, né? Aquela frustração de separação e o medo do que não entendemos. Desejar a morte de outrem é algo tão ruim assim? Provavelmente. Acho que depende da intenção, há casos e casos. Alguém que está sobrevivendo por aparelhos, sofrendo e vivendo de dor... é tão ruim desejar que ela embarque nessa etapa desconhecida, com mais possibilidades do que a atual? Particularmente acho que não. Mas quando desejamos a morte apenas para causar um dor e sofrimento em outrem, aí sim.
   Acho que a gente aprende muita coisa inútil e esquece do essencial. Nossos corpos tem limites, como tudo no mundo, e a gente só vive o que nossos corpos nos permitem viver, cabe a nós cuidar bem dele. A morte, tal como a vida, é parte essencial do ciclo do mundo, do universo. Tudo tem um momento de nascimento e morte, independente de crença e religião. E, apesar de a maior parte do mundo ser religiosa, as pessoas parecem esquecer disso.
  A verdade é que, independentemente de merecer ou não, todo mundo vai morrer.
  Cabe a nós aceitarmos isso.
  

quarta-feira, 14 de março de 2018

  Hoje eu descobri o porquê de você estar junto comigo me fazia tão mal. Hoje, de novo, toda a insegurança que eu sentia voltou. A vontade de chorar, a falta de saber como agir. Eu nunca associei essas coisas a você, e hoje eu descobri o porquê: porque a insegurança é minha. Eu nunca soube lidar com sua personalidade, seus gostos e manias. Eu provavelmente nunca saberei, e nem preciso mais. A única coisa que me faz vir aqui escrever sobre você de novo é esse fantasma seu, que teima em me seguir, que teima em estar em toda válvula de escape que eu encontro. Mas eu já tou aprendendo a fazer minha água benta. Exige muito, mas eu estou conseguindo exorcizar você de mim. Do lugar que eu te coloquei com o intuito de nunca mais tirar, como uma bala no corpo já cicatrizado. Como meus pinos no pé.
  Uma hora teu espectro, que alcança tão longe, vai parar de me afetar. Mas não hoje.


Não hoje.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Requer um esforço ridiculamente grande entender e aceitar que apesar dos seus sentimentos você não está fazendo bem aquela pessoa. Requer um esforço gigantesco deixar a pesso ir, mesmo sem ela querer, pelo bem de ambos. E, acima de tudo, requer um esforço inumano regenerar um coração incompleto pra ele voltar a amar com tudo o que tem.