sábado, 8 de outubro de 2022

E se a gente parar pra pensar, todo ser de escuridao está sempre procurando a luz, e todo ser de luz está sempre procurando a escuridao. O ying yang eterno em que no fim quem ganha é o equilibrio. É o eterno aprendizado de que nao podemos ser Um se nao formos o Todo. Que o 'poder' nao pode se concentrar em um unico corpo quando tudo é o próprio poder.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

    Tem um quê de beleza na tristeza dessa história, como toda boa tem. Triste para mim, e para todo o resto que não pode acompanhar esse pesar comigo, como que em uma tela de cinema, podendo ver meu conflito interno como quem vê o céu: ali, facil de ver, dificil de alcançar.

    O fato é que eu, logo eu, que nunca achei um lugar pra chamar de lar, acabei fazendo morada onde não mais me cabe. Depois de tantos anos, de tantas vivencias, de tanta distancia, todas as minhas palavras ainda valem. Eu poderia morar no teu abraço. Eu queria.

    Mas não me cabe, não mais. Pois desse amor avassalador, eu fiquei com as emoções, e acho que você conseguiu seguir em paz.

    E eu amo demais para desestabilizar esse seu caminho com minhas certezas e incertezas.

    Então eu só observo de longe, acompanhando com carinho o desenrolar desse lar em que um dia eu vivi, mas que não posso mais sequer pisar. Torcendo sempre pela sua felicidade enquanto lidando com a dor da distancia que me sobrou.

sexta-feira, 24 de junho de 2022

A Canção de Aquiles

 Terminei de ler esses dias a canção de aquiles. É historia antiga, conhecida de todo mundo. Aquiles indo pra Troia, vivendo, morrendo, amando. A diferença é que é narrada por Pátroclo, amor de Aquiles. Porra. Madeline Miller, autora, me fez e faz sentir até agora um misto enorme de sentimentos sobre a obra. É uma história que é minha, que eu senti, que eu vivi e não somente lendo.

Meu último namoro foi isso, eu era um Pátroclo, apesar de não tão perfeito, e ele foi um Aquiles, apesar de não tão apaixonado. O peso de saber que o amor nem sempre vence, que a vida exige mais que isso, coisa que eu já sabia, atrelado ao fato de ler aquele sentimento que eu conheci tão bem indo num caminho tanto trágico quanto extremamente romantico e digno de contos me deixou com o coração apertado e ao mesmo tempo saltitante. Uma esperança de amor bem vivido, a angústia de ser humano, imperfeito, ser que machuca.

Saber que tive um Aquiles, distante, inatingivel, belo, amado por todos, mas que nunca me deu devida atenção, que amou, mas não o suficiente pra se dedicar, enquanto eu, Pátroclo, que abdiquei de tudo por aquilo, até onde pude, até ver que ali não havia lugar pra mim, por mais que eu me apertasse entre a sua agenda, amigos, vida. Dói até hoje. Foi mais uma história de amor que terminou em tragédia.


Mas não uma história tão bonita quanto a sua, Madeline, Não tanto quanto a sua.


Madeline Miller, você tem um fã. 


Obrigado.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Sistemas politicos e Capitalismo

   Quanto mais eu leio e penso sobre, mais eu vejo que a gente vive um sistema politico/economico bastante insustentavel. Além dos tradicionais problemas: aumento exponencial da população, poluição, mudanças climaticas, etc. ainda é possivel ver a inconsistencia de um estilo de vida que gira em torno do capital.

  Parando para olhar historicamente, desde o fim do feudalismo, com a ascenção da burguesia e do mercado de troca, surgimento das moedas e, eventualmente, a revolução industrial, é possivel notar que, apesar do crescimento e amadurecimento da sociedade em diversos aspectos, com toda a melhoria de bens que facilitariam o pleno funcionamento da sociedade, o motor do capital dentro da sociedade acabou se provando tão indigesto que foi preciso uma grande parcela da sociedade se rebelar contra esse mesmo sistema para adquirir uma qualidade de vida digna, uma vez que a ganancia humana prevaleceu por muito tempo e tudo o que se via era o acumulo de dinheiro e poder nas maos de poucos.

  Foi preciso que a propria sociedade apertasse os freios do capital, uma vez que o mercado passou por cima do proprio bem estar do povo. Com isso, um novo olhar recaiu sobre a industria, valendo-se das doenças constantes, com ar e agua poluidos, sistemas de esgoto quase inexistentes, para que novas politicas fossem de fato efetuadas visando um funcionamento mais aceitavel das urbes.

  Aqui vemos a outra força motora da sociedade: a política. Com ela, outra forma de poder ascendeu com as repúblicas, parlamentarismos, e democracias que acabaram por se tornar grandes fracassos, apesar de pouco se ver isso ainda. Explico: apesar de seguir a premissa de que esses governos visam o bem da nação e do povo, e assim podem ter sido em seus primordios, eventualmente eles se tornaram antros de poder e, novamente, ganancia. Uma vez que esses sistemas estão bem implementados e passam-se os anos, os novos cidadãos ou entram para o sistema por esquemas e contatos já firmados de quem está dentro, ou não entra, simples assim. 

  Pode até parecer que a decisão é do povo, mas os interesses de quem está dentro regem o funcionamento da sociedade, desde educação até trabalho. E com o poder do Capital seguindo firme, existe a grande orquestra não-tão-por trás dos panos dos grandes empresarios e forças motoras da economia, que hoje já ficam nas mãos de poucos, para que exista a manipulação dos mercados de trabalho, do que se é ensinado, dos salários, bens e qualquer ponto de interesse que venha a aparecer. A força do povo perde espaço quando sua voz pode apenas ser ignorada, dando-se o mínimo e mantendo uma insatisfação controlada.

  O problema é que tais sistemas, apesar de serem claras algumas grandes contribuições para o bem estar da sociedade, como melhores sistemas de saúde, remédios, desenvolvimento urbano, entre outros, eles também trazem uma grande constate: o crescimento do mercado. Cada vez mais pessoas nascem e cada vez mais a industria vê a necessidade de lucro, criando cada vez mais em prol da qualidade, usando dos recursos naturais abusivamente e escolhendo ignorar as consequencias, voltando novamente à ganancia humana.

  Dito isso, é valido interpretar que existem algumas variantes que não são muito contempladas quando se trata de pensar e desenvolver novos sistemas: a primeira sendo a ganância humana, que deve ser sempre abraçada e tida como uma constante, doravante é preciso pensar em meios para as pessoas evoluirem dentro de um sistema, mas de forma limitada para que não haja diferenças que interfiram na dignidade humana, e para isso é necessario entrar em praticamente todos os aspectos do funcionamento atual da sociedade para que o tema seja abarcado de forma holistica e justa. A segunda sendo a quebra dos sistemas politicos tradicionais, acabando-se com as carreiras e grupos fechados dentro do sistema, criando ordens mais dinamicas e renovaveis para que os novos cidadãos possam de fato acompanhar de forma mais objetiva o funcionamento das politicas. E por fim, é preciso haver uma maior preservação dos meios de produção, tirando o poder absoluto do Capital e visando uma maior distribuição de importancia para os bens mais importantes. É importante aqui focar na construção da mente holistica de cada individuo na sociedade, permitindo que eles entendam o funcionamento basico de suas casas, ruas, energias, esgotos, comidas e tudo o que faz parte do dia-a-dia para que haja um melhor entendimento e valorização dos trabalhos, bens naturais e manufaturados, tornando assim, talvez, possivel diminuir um pouco o foco do dinheiro em si.

segunda-feira, 12 de julho de 2021

 Tu há de me perdoar, querido

se aqui te escrevo palavras rebuscadas

mas é com tudo que estou munido

depois de tantas empreitadas


por ti vivi, chorei, sofri

por anos a fio, em teus braços me aquietei

até que um dia apenas morri

e quantas vezes desfaleci, diante do que lidei?


mas sei que com tu foi igual

em minhas tempestades turbulentas

deixei teu coração em chuva torrencial

e quantas tormentas, quantas tormentas...


Há tu de me perdoar, querido?

depois de tanto tempo passado

depois de tantos fatos ocorridos?

estaria então tu, renovado?


por ti morri, e sorri, e dancei, e dormi

encontrei um porto seguro

mesmo que sem um sequer alibi

derrubou todos os meus muros


de minha parte agora há perdão

pois se venho com rebusques

já não me sobra dor, apenas consideração

pois o amor não é marquês


e se agora te falo português

já não há mais paixão.

já se foram dois dias, um ano, ou três

e agora durmo em paz no meu colchão.


pois o amor é ininteligivel,

e se aqui me faço claro,

ele já não é legivel,

mas sempre me foi caro.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Pra se lembrar

     Hoje eu vi uma pessoa perguntando no Instagram como você queria ser lembrado quando se fosse, e aí me deu vontade de escrever. É uma pergunta simples mas com resposta tão complexa quanto nossa propria personalidade, né? Me passou um turbilhão de opções na cabeça, mas no fim acabou em um lago.

    Um lago de águas calmas, que você vai pra descansar, pra refletir, pra se inspirar. Um canto privado que você considera seu mas sabe que é de quem souber dele. Aquele lago que deve estar cheio de monstros, mas que nunca apareceram, ou pelo menos não de forma agressiva. Aquele reservatório de água que por mais turbulenta que esteja a tempestade, vai sempre estar ali, sem grandes ondas. Aquele canto que você sabe que tem milhões maiores e melhores no mundo, mas que não perde em beleza por isso.

    É como um lago assim que quero ser lembrado. Velejavel, profundo e excitante, mas ao mesmo tempo monótono e confiável. Adaptavél, firme e líquido. Nada demais, nada de menos. Uma experiência agradável, feliz. Um lago vivido, com suas cicatrizes em formas de pequenos rios que sangram. Um lugar pra descansar e ter paz.

    Um ombro amigo, um bom ouvido, um conselho as vezes bom, as vezes meia-boca. Alguém que viveu bem e que nunca foi essencial, mas sempre foi uma constante boa e construtiva na vida dos outros. Um sorriso e um empurrão.

    É assim que eu quero ser lembrado.

    E ainda assim, o que fica são as memórias que os outros tem de nós, não as que tentamos construir. A parte triste é que nada garante que tenhamos a resposta para como de fatos vamos ser lembrados. Porque garantido mesmo, a gente só tem o agora.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

To remember

  É massa você entender que esse papo de se valorizar e se colocar pra cima não é só uma questão de auto-estima ou de querer acreditar naquilo. Tem gente que não vale tanto mesmo pô, e assim, não que não possa valer, mas que não sabe cuidar de si mesmo, e ai quem cuida?
  Tô bem felizinho finalmente me cuidando, sabe? Pô, minha auto-estima subiu quando eu parei pra me alimentar melhor, eu me senti mais feliz quando comecei a me exercitar regularmente, eu tou cuidando do meu psicológico indo pra terapia que eu levei anos dizendo que ia e só agora consegui a força pra isso.
  O que eu quero dizer é que se a gente não se cuidar, não olhar pro nosso corpo e ver o que ele precisa (porque as vezes ele grita) e ir dando passos pra ir atingindo aquelas pequenas (ou não) coisas, a gente tá só degenerando o que a gente é encorajado a valorizar, mas valorizar não é só dar like ou esperar o like dos outros. É cuidar de você mesmo, mesmo que as vezes pareça difícil, mesmo que as vezes pareça impossível.
  E é super importante a gente entender, também, que leva tempo esse crescimento. E que ele dura até onde a gente quiser que dure. Tudo bem dar uma pausa as vezes, tudo bem chorar. Faz parte do crescimento, do cuidado, entender que a gente é humano. Mas o que a gente não pode mesmo é parar. Porque parar deteriora, e o mundo segue girando, e a gente vai ficando pra trás de nós mesmos.