segunda-feira, 27 de outubro de 2014

"Ai se sêsse"

 Eu estou na Inglaterra. Reino Unido. Na 11º maior cidade daqui (ou algo do tipo). Segunda maior cidade multicultural da Inglaterra, perdendo apenas para a capital. Os transportes funcionam, você pode andar a hora que quiser na rua (apesar de que vacilo é vacilo em todo lugar), mexer no seu celular e levar seu laptop na mochila sem o medo de furto iminente. Tem gente de tantas, tantas, nacionalidades que você geralmente fica até embaraçado pra cumprimentar, sem saber a maneira certa. Existe lixo em todo canteiro, mas as ruas são, geralmente, bem limpas porque existe um sistema de limpeza eficiente. É bom viver aqui. Como estudante principalmente! O clima agradável e a ausência de ladeiras permitem você andar pra todo e qualquer lugar sem cansar muito, ou andar de bicicleta em relativa segurança.
  Aqui as estações são bem definidas e as pessoas nos bares são amigáveis. a cerveja é boa, mas as festas acabam cedo e os bares tem hora para fechar. Os estudantes são, bem, estudantes. Sempre tentando economizar, reclamando que pagam caro por uma universidade e ela não dá X ou Y. Fazendo festas em casa e estudando no desespero. Sempre tentando aproveitar ao máximo.
  É bom viver aqui.
  Porém, falta calor.
  Não o calor do sol escaldante. O calor do brasileiro, do nordestino. O calor de abraços. O calor de sempre estar aberto a amizades. O calor de não se esforçar pra ser gentil. O calor da cozinha com cheiro de comida boa. Falta Brasil aqui.
  Ah, se eu pudesse levar a segurança e eficiência das cidades daqui para o Brasil! Ah! Esse seria o lugar perfeito. O país mais bonito não é o dos grandes monumentos, nem o da maior economia. É o do povo mais feliz, da beleza mais natural e onde a humildade para receber o visitante de modo servil e a coragem para defender seus princípios se mesclam de forma bonita.
  Ah! Na minha região tem fome, pobreza e violência. Mas em que terra não tem? Mas na minha terra tem crianças brincando nas ruas, e pessoas indo trabalhar cedo. Na minha região, que recebe pouca ajuda, estamos sempre dispostos a dar a mão ao próximo, porque só quem vê a tristeza tão de perto está disposto a não permitir que outras pessoas precisem vivê-la. Mas somos um povo forte, também. Nossa vegetação predominante, a Caatinga, nos representa bem. Mesmo na dificuldade, sobrevivemos, e na fartura, mostramos quão surpreendentes podemos ser. Lá, aprendemos a valorizar o trabalho do agricultor e do fazendeiro. Descobrimos que nas comidas mais simples podem-se encontrar grandes preciosidades da culinária. Fazemos amizades fácil.
 Ah! se eu pudesse exportar nosso jeito pra cá e pro resto do mundo! Quiça não aprendêssemos uns com os outros e deixássemos as diferenças de lado. Quiçá eu estaria comendo um baião com carne de sol e meus amigos estariam indo pra universidade em transporte público e sem receios.
 Ah, se o mundo falasse nosso "oxente" pra o preconceito e nosso "chegue cá, dê um abraço" pra toda forma de amor...
 Sou Brasileiro com orgulho. Sou Nordestino com orgulho. E mesmo nosso país não andando às mil maravilhas (e garanto que vai ser bem difícil encontrar um que esteja), tenho orgulho da nossa cultura e do que já conquistamos. Tenho orgulho da luta de todos os dias de cada brasileiro. Orgulho das diferenças de opiniões. Me entristece ver não a ignorância de alguns (quem sou eu pra falar de ignorância?), mas a falta de caráter, só que isso já é algo que vem de dentro. Esse intercâmbio me permitiu conhecer pessoas de grande parte do Brasil, e digo uma coisa: Somos um país de muitas diferenças, somos um país de muitos pontos de vista, mas somos Um País.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Você já perdeu.

  É tão triste o que eu vejo hoje em dia. O assunto do momento é política e assuntos "secundários" como a falta de água em São Paulo e o preconceito com o nordestino. Ódio não se combate com ódio, sabe? Se você se sujeitar a isso, já perdeu.
  Sinto muito informar que nunca conheci ninguém que mudou de opinião com seu discurso de ódio e sem argumentos. Com seu discurso "votar em Aécio pra tirar o PT" ou "votar em Dilma porque Aécio cheira cocaína".  Com seu discurso "Sulistas, agora morram sem água porque eu vou rir enquanto tomo banho" ou "Nordestinos imbecis, votam em Dilma novamente pra sustentar suas bolsas-esmola". Quão limitado é você pra achar que isso é discurso convincente pra mudar o voto, pra acabar com o preconceito? A partir de que momento você se sujeitou a fazer o mesmo discurso de ódio que critica? Você já perdeu.
  Eu já acho difícil convencer algumas pessoas mesmo com argumentos válidos e discussão respeitosa, quem dirá ofendendo as mesmas. Você vai sustentar o "regionalismo radical" e entrar no mesmo nível daqueles que ofendem sem razão? Vai sustentar um partido político e acabar com amizades sem nem mesmo saber o plano de governo dele? Sem se permitir conhecer o outro lado? Você já perdeu.
  Generalizem, tornem tudo 100% e apliquem o seu discurso de ódio numa parcela da humanidade, transformem as minorias em maiorias e generalizem. Enfatizem e compartilhem o discurso de ódio de poucos como se fosse de muitos, e vocês estarão contribuindo para o caos, pra aquilo que você tanto critica. Você já perdeu.
  Não, obrigado. Não costumo comprar brigas. Discutir com argumentos racionais sempre me pareceu mais frutífero. Sempre lembro que tenho dois ouvidos e um cérebro entre eles, e a boca é pra refletir o que aprendi com ambos. Sei ouvir, sei aprender e sei reconhecer erros, afinal, fazer um aliado sempre é melhor do que ganhar um inimigo.... mesmo perdendo, eu ganho.