segunda-feira, 29 de setembro de 2014

"Nada é fácil de entender...."

  Sei lá... toda vez que algum conhecido morre eu sinto necessidade de falar sobre morte em si, acho que é comum, vejo muita gente assim. É extremamente triste essa coisa de nunca mais poder ver aquela pessoa de novo. Dói. E mesmo assim tanta gente morre por dia... quando você não conhece você praticamente não sente, né? Sempre achei meio hipócrita dizer que sente a morte de pessoas famosas que você nunca sequer interagiu na vida. Mas quanto mais próximo, mais a gente sente.
  É interessante que as pessoas sempre morrem. Tudo que tem vida um dia encontra a morte, algo tão natural e mesmo assim algo que sempre nos pega de surpresa, afinal, nos acostumamos com "média de vida" e a gente sempre espera que todo mundo atinja pelo menos ela, né? Talvez a dor que sintamos na morte de um próximo seja um pouco pelo fato de nunca termos o controle da situação, nunca podermos fazer nada. De sentir como se existisse algo brincando com sua vida e com a vida dos outros, meio que por maldade, e por você nunca ser capaz de fazer nada quanto a isso. Um sentimento de impotência que faz você parar.
  Suicídio sempre foi um conceito delicado. Quem iria imaginar que aquela menina risonha, bonita e sempre simpática fosse um dia dar fim na própria vida? E pensar que a gente nunca vai saber o porquê deixa um espaço em aberto junto da ferida, né? Nessas histórias a gente vê o quanto a gente não conhece as pessoas, não verdadeiramente. E o quanto a sociedade reprime, condena e julga a ponto de fazer você usar uma máscara para esconder o que você realmente sente pelo simples medo do julgamento. E aí vem depressão e se você não se ater ao que lhe é importante, valioso, pode acabar assim.
  Suicídio sempre foi pra mim um ato de covardia. A vida é complicada, difícil de lidar, e as pessoas não ajudam, geralmente. Sempre considerei a vida como uma "guerra pela sobrevivência", apesar de encontrar tanta beleza nela. Mas abandoná-la no meio, deixando pra trás familiares e tanta dor é um tanto egoísta, um tanto covarde. Sempre pensei assim. Hoje eu repenso. Minha tia me falou que o suicídio é um ato de coragem, e no momento que li isso, não compreendi, então fiz o que eu sempre faço quando não concordo com que o outro fala: procurei pensar no ponto de vista dela.
  Então eu percebi que é sim, um ato de coragem em muitos aspectos, apesar de manter meu pensamento de que é um ato covarde. Coragem e covardia no mesmo ato? Sim. É claro pra mim que todo ser vivo preza pela sua vida, de um jeito ou de outro. Chegar ao ponto de tirar sua própria vida deve requerer uma coragem única, num momento único, que se passado, talvez nunca mais volte a existir. É um ato definitivo. E para se chegar a ele, provavelmente aquela menina deve ter pensado muito sobre. Deve ter pesado um pouco as consequências e chegado à conclusão de que não valia mais a pena, apesar de tudo. A cabeça dela deveria estar pra explodir de qualquer forma. Ela partiu para a última instância para acabar com a provável tristeza que ela sentia e não encontrava cura. Ela teve coragem suficiente de abandonar tudo o que ela amava e partir rumo ao desconhecido, sem volta garantida.
  Eu sequer conhecia ela bem, conversei raras vezes e muito pouco, mas a morte dela me deixou triste. Foi radical demais, pegou todo mundo despreparado. E ela tinha tudo para ser feliz e mesmo assim encontrou tristeza, e se afogou. A vida é dura, por isso é preciso coragem pra abandoná-la com todos os que você ama.
  Eu realmente espero que você tenha encontrado a felicidade, ou pelo menos eliminado a tristeza. :(

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