Eu estou na Inglaterra. Reino Unido. Na 11º maior cidade daqui (ou algo do tipo). Segunda maior cidade multicultural da Inglaterra, perdendo apenas para a capital. Os transportes funcionam, você pode andar a hora que quiser na rua (apesar de que vacilo é vacilo em todo lugar), mexer no seu celular e levar seu laptop na mochila sem o medo de furto iminente. Tem gente de tantas, tantas, nacionalidades que você geralmente fica até embaraçado pra cumprimentar, sem saber a maneira certa. Existe lixo em todo canteiro, mas as ruas são, geralmente, bem limpas porque existe um sistema de limpeza eficiente. É bom viver aqui. Como estudante principalmente! O clima agradável e a ausência de ladeiras permitem você andar pra todo e qualquer lugar sem cansar muito, ou andar de bicicleta em relativa segurança.
Aqui as estações são bem definidas e as pessoas nos bares são amigáveis. a cerveja é boa, mas as festas acabam cedo e os bares tem hora para fechar. Os estudantes são, bem, estudantes. Sempre tentando economizar, reclamando que pagam caro por uma universidade e ela não dá X ou Y. Fazendo festas em casa e estudando no desespero. Sempre tentando aproveitar ao máximo.
É bom viver aqui.
Porém, falta calor.
Não o calor do sol escaldante. O calor do brasileiro, do nordestino. O calor de abraços. O calor de sempre estar aberto a amizades. O calor de não se esforçar pra ser gentil. O calor da cozinha com cheiro de comida boa. Falta Brasil aqui.
Ah, se eu pudesse levar a segurança e eficiência das cidades daqui para o Brasil! Ah! Esse seria o lugar perfeito. O país mais bonito não é o dos grandes monumentos, nem o da maior economia. É o do povo mais feliz, da beleza mais natural e onde a humildade para receber o visitante de modo servil e a coragem para defender seus princípios se mesclam de forma bonita.
Ah! Na minha região tem fome, pobreza e violência. Mas em que terra não tem? Mas na minha terra tem crianças brincando nas ruas, e pessoas indo trabalhar cedo. Na minha região, que recebe pouca ajuda, estamos sempre dispostos a dar a mão ao próximo, porque só quem vê a tristeza tão de perto está disposto a não permitir que outras pessoas precisem vivê-la. Mas somos um povo forte, também. Nossa vegetação predominante, a Caatinga, nos representa bem. Mesmo na dificuldade, sobrevivemos, e na fartura, mostramos quão surpreendentes podemos ser. Lá, aprendemos a valorizar o trabalho do agricultor e do fazendeiro. Descobrimos que nas comidas mais simples podem-se encontrar grandes preciosidades da culinária. Fazemos amizades fácil.
Ah! se eu pudesse exportar nosso jeito pra cá e pro resto do mundo! Quiça não aprendêssemos uns com os outros e deixássemos as diferenças de lado. Quiçá eu estaria comendo um baião com carne de sol e meus amigos estariam indo pra universidade em transporte público e sem receios.
Ah, se o mundo falasse nosso "oxente" pra o preconceito e nosso "chegue cá, dê um abraço" pra toda forma de amor...
Sou Brasileiro com orgulho. Sou Nordestino com orgulho. E mesmo nosso país não andando às mil maravilhas (e garanto que vai ser bem difícil encontrar um que esteja), tenho orgulho da nossa cultura e do que já conquistamos. Tenho orgulho da luta de todos os dias de cada brasileiro. Orgulho das diferenças de opiniões. Me entristece ver não a ignorância de alguns (quem sou eu pra falar de ignorância?), mas a falta de caráter, só que isso já é algo que vem de dentro. Esse intercâmbio me permitiu conhecer pessoas de grande parte do Brasil, e digo uma coisa: Somos um país de muitas diferenças, somos um país de muitos pontos de vista, mas somos Um País.
Concordo em gênero, número e grau!
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