E descobriu que possui vácuos. Vácuos tão grandes que sempre o deixam com um vazio por dentro.
Sempre.
Desde que se entendo por gente.
Talvez por isso encontre nas suas mãos o nervosismo que sua mente, dita centrada, tão inconscientemente precisa preencher em outro lugar. Talvez por isso ele beba constantemente e assiduamente, como se pudesse preencher esse vazio com o gosto amargo da cerveja.
Talvez por isso ele, através das mesmas mãos nervosas, não conseguisse representar todas as imagens fantásticas que lhe vinham à mente, por mais que tentasse e tentasse e tentasse.
Talvez por isso nunca se sentisse tão mal como deveria em uma ressaca.
Talvez por isso nunca tenha tentado preencher esse vazio com amizades que, de tão vazio que já se sentia, não achasse que poderia confiar tão grande espaço a qualquer um.
Talvez, por nunca ter encontrado um propósito, jamais tenha dado o 100% que aquele buraco tomou.
Procurava algo que o pudesse surpreender e não achava. Não encontrou na Europa. Nem nas Américas. Não encontrou nas festas nem nos beijos, e pouco, muito pouco, nos livros.
Buscou algo que pudesse preencher esse vazio tão imenso e nem mesmo quando encontrou um grande amor, talvez aquele pra vida toda, conseguiu preencher por muito tempo aquele buraco negro que suga toda a felicidade.
Logo se desestimula com todas as atividades que lhe impõe. Tediosas. Monótonas.
Nunca conseguiu sequer seguir o próprio pensamento. Era feito de pensamentos, mas não de atitudes, sua voz raramente acompanhava a mente. Talvez aí residisse o vácuo. Talvez aí ele morresse e revivesse todos os dias.
Derramou muitas lagrimas por banalidades, prometeu nunca mais o fazer tão facilmente.
Quis ser a rocha que nunca achou pra se sustentar. Quis ser a coluna inquebrável que nunca encontrou. Se fez impenetrável.
Sendo vazio, procurou preencher os buracos que encontrava, buscava equilibrio. E enquanto fechava buracos, achava remendos para o seu, mas jamais um preenchimento definitivo.
Aprendeu a ser tolerante, quando viu tanta intolerância. Aprendeu a ouvir no lugar de falar. Aprendeu a respeitar, quando encontrara conflitos sem solução aparente.
Cresceu na mente.
Mas a rachadura de dentro nunca foi consertada. Aquele vazio continua lá, crescendo junto com a mente.
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