quinta-feira, 2 de março de 2017

A Imutável mutabilidade do ser

   De uns tempos pra cá eu tenho observado o mundo de uma forma muito peculiar. De tantas visões que já tive desse universo, e que por tantas vezes já mudei de opinião, me acometeu de observar algo que não mudou em nenhum momento: a mutabilidade das coisas.
   Dentre todas as coisas existentes nesse universo, aprendi a observar a capacidade que as coisas, pessoas e situações tem de se modificar, adaptar-se às novas experiências. Há quem diga que a história se repete, eu digo que mesmo que ela se repita, tudo é diferente, tudo mudou. Por mais que a linha de construção da história (assim como em um livro) seja a mesma, as minúcias de cada situação são diferentes. Tudo muda e isso, ao meu ver, é uma lei regente do universo. Basta só observar os próprios planetas: por mais que sigam padrões de movimentos previsíveis, cada ciclo se dá em um lugar diferente do anterior, cada galáxia já está em outro lugar e nada é o mesmo.
   Essa constatação me faz rever toda uma série de atitudes que eu levava pra vida. Parando pra pensar que tudo muda, nada é permanente, então nada mais racional que a aplicabilidade do desapego e da permissibilidade. O desapego das coisas que na verdade a ninguém pertencem, a realização de que nada nem ninguém podem pertencer a outrem. mas sim, no máximo, estar em posse temporariamente. E, por falar em posse, o desapego do sentimento e necessidade de possessão. A permissibilidade, ah! Essa é a fluidez da coisa. É trabalhar a capacidade própria de se modificar, de se adaptar, de aceitar que nós, também, somos mutáveis (e como!). É o aprender a nos conhecermos e entendermos as horas de parar, de continuar, de dar um passo pra trás ou pra frente. É o entender de que as vezes, mesmo se estando parando se muda drasticamente, e as vezes, mesmo estando em constante movimento as mudanças podem ser ínfimas. É, enfim, compreender que nem amizades, nem o amor da sua vida é pra sempre. Que quando nos recusamos a mudar, o mundo ao nosso redor muda. Que vale mais a pena seguir uma correnteza do que tentar ficar no mesmo lugar dentro dela.
   A vida, sob essa perspectiva de constante mutabilidade, é como uma dança: é preciso estar em movimento para que ela possa existir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário