E lá estavam eles, em cima do altar, na igreja mais bonita da cidade. Os convidados estavam de pé, se emocionando com as palavras de praxe que o padre estava prestes a terminar. A banda já se preparava para começar a tocar a música que ditaria a consolidação do casório e o padre finalmente falou:
-Eu os declaro marido e mulher!
E, num momento de epifania repentina, a noiva olhou indignada para o pare e soltou um "pode parar por aí!". Todos ficaram confusos, principalmente o padre, coitado, que nunca havia presenciado tal situação.
-Como assim o senhor me declara "mulher"? - continuou a noiva - Está, por acaso, dizendo que eu não era uma mulher até agora?
-Não, minha filha... - começou o padre, mas ela já não escutava e continuou:
-Ou está dizendo que não existe uma palavra feminina para "marido"? - E já começava a andar de um lado para o outro, aflita, sob a vista de muitos olhos, todos embasbacados. - Quer dizer que, em todos esses anos, ninguém mudou isso? Por que não 'Eu os declaro esposo e esposa'? - E, dizendo isso, virou-se para o padre, agora zangada - Está me dizendo que a Igreja Católica ainda é machista? É isso? - Agora voltava-se para o marido - E vocêêê.... VOCÊ concordou com isso! VOCÊ sabia e permitiu que isso acontecesse! - E a cada 'você' dito um cutucão com o dedo se seguia - NUNCA MAIS OLHE NA MINHA CARA!
E saiu correndo da igreja, chorando.
Silêncio.
-Mas foi você quem quis casar na Igreja! -Gritou o marido.
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