terça-feira, 9 de agosto de 2016

Conto de Terror

Quem disse que fantasmas não existem não sabia o que dizia. Quem não acredita em demônios não pode pertencer ao mesmo mundo que eu. Quem acha que vida após a morte é conto de fadas nem sonha que fadas são tão reais quanto a ressurreição. Há nesse mundo mais seres sobrenaturais, que são tão intensos e ao mesmo tempo tão naturais, que uma enciclopedia inteira poderia não ser capaz de classificar todos.
Eu, tão ateu de espiritualidade, já me deparei com tantos seres que você não encontra numa aula de biologia. Eu, tão comum como qualquer outro, já me afundei de tantas formas em escuridão guiado por demonios tão diferentes quanto as cores num arco-iris. Eu, tão pacifico, já me vi consumido em raiva pura. Quantos fantasmas preciso carregar comigo? Fantasmas do que fiz e do que não fiz, já tão intimos que quase não percebo perante os fantasmas deixados por outrem pra mim. Fantasmas que me acorrentam e me fazem afundar só. Só.
Quantas vezes morri diante do que me machucou tão profundamente que sequer conseguia levantar da cama? Quantas vezes levantei vivo tempos depois? Quantos ferimentos mortais recebi além da carne?
Quantas feridas abertas possuo na alma? O que move meus dedos? Em mais um torpor de dor e completa escuridão eu fui enclausurado. Quantos demonios e fantasmas me trouxeram pra cá? Há chave para daqui escapar?
Uma vida inteira me fechando em castelos que eu mesmo projetei pra deixar os males de fora e agora, após abrir os portões, eles me carregam forçado pra dentro. Transformaram minha fortaleza numa prisão e eu estou na solitária.
Eu não sei como sair. O vento aqui é frio, como era meu coração... como ele está voltando a se tornar.
E eu não sei se quero sair.
Talvez voltar a ser rei dessa prisão que achei ser castelo.
Talvez voltar a não acreditar em fantasmas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário