segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O Lamento do Mar

Longínquos mares por onde resolvi nadar,
tu, donde em cada onda me deliciei,
cada peixe conheci e
em cada ressoar mergulhei.
Tu, donde os mais fundos corais conheci,
com cujas conchas me familiarizei,
que, em cada cor, me encontrei.
Tu, por onde os ventos sibilavam,
permeando minha pele,
carregando minha alma.
Tu, que tanto o céu beijou,
que arrancou a cor,
que me desalmou.
Tu, que ao beijar o céu,
vistoso anel,
me fez tirar.
Tu, que tanto me insolastes,
agora me faz sentir,
como se nunca me amastes.
Tu, que um dia me trouxe calor,
sem qualquer pudor,
me isolastes.
Tu, que, em lamento,
derrubou um céu,
de lágrimas ao vento.
Tu, que já se arrependestes,
e atrás de mim correstes,
pedindo para voltar.
Mas tu, longínquo mar,
me fez desandar,
e com resfriado,
me deixou estar.
Eu, que não mais consigo,
nadar contigo,
me ponho a chorar.
As águas que um dia nadei,
muito fundo entrei,
e me pus a afogar.
Hoje, já não sei se posso,
em tal mar insosso,
voltar a nadar.
Oh, infeliz mar,
me deixa ir,
até os campos,
longe de ti,
onde o meu Eu está.

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